Maior consumo de leite está associado ao risco reduzido de fraturas no quadril

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A densidade óssea diminui com a idade, levando a um risco aumentado de fraturas do quadril. O leite é considerado muito benéfico para manter a saúde dos ossos devido ao seu alto teor de cálcio, proteínas e sua fortificação com vitamina D. As Diretrizes Alimentares para Americanos, de 2015 (Dietary Guidelines for Americans), recomendam que os adultos consumam por dia de duas a três xícaras de leite, ou produtos lácteos equivalentes, para proteger os ossos do envelhecimento.

Em um novo estudo longitudinal, a professora Diane Feskanich, do Brigham and Women's Hospital e Harvard Medical School, e seus colegas descobriram que, entre um grande grupo de homens dos Estados Unidos com idade igual ou superior a 50 anos e mulheres pós-menopausa, o aumento do consumo de leite e derivados foi associado a um reduzido risco de fratura do quadril.

A nova pesquisa examinou a associação entre o consumo prolongado de leite e outros produtos lácteos e o risco de fratura no quadril em dois grandes estudos de coorte (estudos observacionais onde os indivíduos são classificados - ou selecionados - segundo o status de exposição, sendo seguidos para avaliar a incidência de doença) dos EUA, o de Saúde das Enfermeiras (NHS) e o de Acompanhamento de Profissionais de Saúde (HPFS). Nestas duas análises, 80.600 mulheres pós-menopausa e 43.306 homens com mais de 50 anos de idade foram acompanhados por até 32 anos.

Anteriormente, Feskanich e seus colegas não haviam relatado associações significativas entre o consumo de leite e fraturas do quadril nos estudos de coorte NHS e HPFS. No entanto, sua nova pesquisa aumentou o poder estatístico com anos adicionais de acompanhamento e casos de fratura de quadril em comparação com os estudos anteriores, e também expandiu a análise para considerar diversos fatores, incluindo sexo, idade e o consumo de outros alimentos.

No estudo, os pesquisadores descobriram que cada porção de leite por dia estava associada a um risco de fraturas de quadril 8% menor em homens e mulheres juntos. O consumo total de alimentos lácteos, que consistiu em leite, queijo, iogurte, creme e sorvete, foi associado a um menor risco de fratura de quadril de 6% por porção diária em homens e mulheres. Os dados também sugeriram que uma maior ingestão de queijo por mulheres pode contribuir para um menor risco de fratura do quadril, mas o resultado não foi estatisticamente significante.

O trabalho produziu alguns resultados inesperados. "Duas coisas foram surpreendentes", diz Feskanich. "Uma delas é que o benefício do leite não parece ser devido ao teor de cálcio, vitamina D ou proteína do leite. Ou seja, quando adicionamos o consumo total de cálcio, vitamina D e proteínas aos nossos modelos estatísticos, ainda assim encontramos um menor risco de fratura de quadril com maior consumo de leite", diz. "Uma pesquisa futura seria útil para investigar qual componente do leite pode reduzir o risco de fratura", observa.

"A outra coisa surpreendente que encontramos é que o benefício do leite era principalmente encontrado em homens e mulheres com maior índice de massa corporal", diz Feskanich. "Esta foi uma análise ad hoc, ou seja, é uma hipótese e precisa ser examinada e confirmada por outros", diz ela.

O estudo concluiu que o maior consumo de leite, em longo prazo, por adultos mais velhos está associado a um menor risco de fratura do quadril, e esse achado não foi justificado pelo teor de cálcio, vitamina D ou proteína do leite. "Não acho que uma recomendação alimentar pode ser feita com base exclusivamente em nossa pesquisa, mas sugere que adultos mais velhos podem escolher com segurança o leite como parte de seu plano de saúde óssea", aponta a pesqusiadora.

Estudos adicionais sobre consumo de leite e fratura de quadril também podem beneficiar uma variedade maior de populações. "As recomendações dietéticas podem não ser únicas, e pesquisas futuras precisam atingir populações específicas", conclui Feskanich.

Por Sandeep Ravindran em Splash!® milk science update: Edição de fevereiro de 2018 

Fontes:

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