Sistema alimentar sem animais não é holisticamente sustentável

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Vamos deixar claro: um sistema alimentar saudável e sustentável depende tanto de plantas como de animais. Pesquisadores do Agricultural Research Service e Virginia Tech do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) acabaram de publicar um estudo no Proceedings of National Academies of Sciences confirmando esse fato socialmente debatido. O estudo examinou como seria o mundo sem agricultura animal nos EUA. A conclusão? As emissões de gases de efeito estufa no país reduziriam em 2,6%, e 0,36% globalmente - mas também o equilíbrio do ecossistema alimentar seria perturbado e faltariam nutrientes essenciais para alimentar todos os americanos.

Um papel importante que a pecuária desempenha em nosso sistema alimentar sustentável é pegar alimentos não comestíveis e, por fim, torná-los nutritivos. Especificamente, o gado atua como upcycler - comendo gramíneas e restos de matéria vegetal da produção de alimentos humanos e os reciclando em proteínas nutricionais de alta qualidade. Na verdade, os animais produzem 19% mais proteína comestível do que eles consomem.

Também vale ressaltar que as plantas não comestíveis por humanos e as sobras constituem uma grande parte da dieta dos animais. De acordo com um estudo de cientistas da United Nations Food and Agriculture Organization, globalmente, 86% do que o gado come são restos e plantas não comestíveis por humanos.

Outro benefício da pecuária, que muitas vezes não é reconhecido, é o uso de terras inutilizáveis para a agricultura. Mais de 85% da terra utilizada para a criação do gado não é adequada para o cultivo, porque é muito rochosa, íngreme e/ou árida para suportar a agricultura.

Se você consome uma dieta orgânica certificada pelo USDA, qual é a principal fonte de fertilizantes para seus legumes, grãos e outros alimentos vegetais? Esterco animal. Quem consome 860 milhões de quilos por ano de sobras à base de plantas produzidas pelas indústrias de alimentos, fibras e biocombustíveis dos EUA? O gado. Sem estes animais, como poderíamos descartar esses restos derivados de plantas sem criar um problema ambiental?

Além disso, os animais fornecem mais do que alimentos. Uma enormidade de subprodutos é utilizada em adesivos, cerâmicas, cosméticos, fertilizantes, germicidas, colas, doces, açúcar refinado, têxteis, estofados, filmes fotográficos, pomadas, papel, válvulas cardíacas e outros.

Isso sem falar que um modelo à base apenas de vegetais não atenderia aos requisitos da população para nutrientes essenciais, nem de alimentos totais para humanos e animais de companhia, além do fato de que empregaria menos pessoas.

Ao invés de continuar debatendo sobre o que precisa sair da nossa mesa de jantar, que tal começar a focar nossa atenção em melhorar todo o prato? A batalha social que existe sobre qual tipo de agricultura é melhor (local x não-local, vegana x onívora, orgânica x convencional, à base de pasto x grãos) não está nos levando a lugar nenhum.

Precisamos de tudo em um sistema de alimentos resiliente, que ofereça escolha e opções nutricionais acessíveis. Nossa maior oportunidade é melhorar a sustentabilidade, aperfeiçoando a saúde do solo, a viabilidade econômica dos produtores, o bem-estar dos animais, e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, independentemente do sistema de produção.

 

Fonte: Nutritional and greenhouse gas impacts of removing animals from US agriculture, Robin R. White and Mary Beth Hall