Somos os únicos mamíferos que consomem leite na idade adulta – que sorte a nossa!

z3.PNG (805 KB)

Um dos principais jargões usados por aqueles que condenam o consumo de lácteos é que somos os únicos animais que consomem leite na idade adulta. O que eles desconhecem (ou fingem fazê-lo) é que temos muita sorte por isso. 

Iniciando as explicações, tudo começa com o desenvolvimento de técnicas para a domesticação dos bovinos. Somos a única espécie que conseguiu fazer isso e, por consequência, incorporar o leite na nossa dieta. Outro fato muito relevante é que não destinamos o leite à alimentação de outros animais adultos porque ele é muito nobre e seu custo não permite a utilização como ingrediente de rações, embora seja comum o fornecimento de soro de leite para bezerros e suínos.

Segundo a dra. Patrícia Blumer Zacarchenco, pesquisadora científica do TECNOLAT-ITAL (Centro de Tecnologia de Alimentos –Instituto de Tecnologia de Alimentos do Estado de São Paulo), que há mais de 18 anos estuda o alimento, “o desmame feito pelas fêmeas das diversas espécies ocorre não porque o leite deixa de ser adequado para a cria, mas sim para que o filhote passe a ingerir outros alimentos. Também serve para poupar energia da mãe para uma nova gestação.”

Mas, o motivo mais importante, que faz com que o ser humano continue consumindo leite e derivados na idade adulta, está ligado ao seu valor nutricional. O leite é a fonte natural mais importante de cálcio. Claro que existem outros meios de ingerir o mineral. As verduras verde-escuras (brócolis, espinafre e couve), assim como castanhas-do-pará, amêndoas e tofu são excelentes fontes de cálcio. Muitas dessas, inclusive, têm teor mais elevado do mineral que o próprio leite. Mas, o leite é o alimento com mais alta biodisponibilidade de cálcio, o que significa que a sua absorção é muito superior àquela proporcionada pelas verduras verde-escuras.

Com isso, para suprir as recomendações da OMS para consumo de cálcio, uma pessoa precisaria comer, por exemplo, 677 g de couve-manteiga ou 882 g de espinafre, todos os dias. Para nossa sorte, esse volume absurdo de folhas pode ser substituído por três copos de leite ou o equivalente em outros lácteos como queijo e iogurte.

O consumo adequado de cálcio a partir da adolescência é a principal forma de prevenção da osteoporose. Mas, a ingestão regular de lácteos ajuda ainda na prevenção de várias outras doenças como a síndrome metabólica, a hipertensão e a diabetes tipo 2.

Precisa de mais motivo para se entregar aos prazeres do leite? Vários estudos mostram os impactos positivos do consumo de lácteos sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças. Talvez isso explique os resultados de um trabalho, conduzido por pesquisadores do Reino Unido, que concluiu que os países com maior consumo per capita de leite são os que colecionam mais Prêmios Nobel.   

Flávia Fontes
Médica Veterinária, D.Sc. Nutrição Animal